Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

Sobre o Amor

Não há dúvida que é muito mais apelativo escrever sobre amores sofridos do que sobre aqueles que têm − pelo menos provisoriamente − finais felizes. São eles (particularmente, aqueles capazes de nos levarem ao céu para logo nos arrastarem até ao inferno) os que mais mexem com as nossas emoções, sejam elas a felicidade, o ódio, o prazer, a dor...
Falar de amores felizes, de longos anos, implicaria falar de sentimentos contidos, de cedências, de construções baseadas na tolerância e compreensão de ambas as partes, o que parece ser uma seca e não ter piada nenhuma.
O problema que tenho vindo a tentar perceber (e, pelo que li, também a comunidade cientifica) é por que razão, tantas vezes, “embicamos” com determinada pessoa e não com outra? Por que insistimos em alguém que não nos corresponde, que nos faz sofrer?
Pois, parece que também para isto já existem respostas. E que para a ciência − aliás, como sempre − tudo não passa de um processo que visa garantir a continuidade da espécie.
Para eles, quando nos sentimos atraídos por alguém, pode ser apenas porque gostamos dos genes dessa pessoa, ou seja, o factor relevante parece ser o perfil genético. O parceiro escolhido deve ter os melhores genes possíveis, já que esses genes vão ser passados aos filhos, independentemente do carácter do seu portador ser ou não o de um filho da mãe.
A avaliação desses genes parece ser feita pelas tão faladas Feromonas ou “transportadores de excitação” (do grego fero, transportar; e de hormona, excitar) que imitem o nosso perfil genético, para que o receptor, inconscientemente, possa identificar aquele que é mais compatível com o seu.
Mas sendo assim, e devendo existir milhões de seres humanos com perfis genéticos compatíveis com o nosso, por que não “escolhemos” outra, e nos agarramos “àquela”, determinada, pessoa?
Estudos mostram que a libertação de oxitocina − a hormona que faz com que as progenitoras se sintam conectadas com as suas crias, facto imprescindível para a sobrevivência delas e responsável por quase todas as ligações sociais e formação de laços entre mamíferos − pode estar condicionada a estados emocionais e imagens mentais que armazenamos na nossa memória implícita e que orientam o gosto discriminatório que nos diz quem devemos amar. Ou seja, parece ser, então, também, esta última responsável por nos “agarrarmos” ao tal filho da mãe.
Para além disso, acredito que muitos factores psicológicos possam estar por trás dessa determinada escolha e que muitos desses amores sejam projecções dos nossos desejos. Assim uma espécie de "teimosia" (e ao mesmo tempo de fé, porque, ao serem o espelho das nossas vontades, estarão, certamente, muito perto do que pensamos ser a perfeição), em que insistimos em atribuir à pessoa amada determinadas características que gostaríamos que ela tivesse, mas que, de facto, ela não tem e que a sua indiferença e afastamento ainda mais potenciam, pois permitem-nos continuar a fantasiar.

Para a
Fernanda*

[* Este texto foi escrito em Novembro, como reflexão sobre um
post da Fernanda.
Por essa razão, a ela, é-lhe dedicado.]
publicado por Sofia Bragança Buchholz às 16:01
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2 comentários:
De f. a 11 de Janeiro de 2007
muito obrigada, eterna
De Poeta Aprendiz a 12 de Janeiro de 2007
É por essas e por outras que eu nunca fui muito dado a ciências...

Há coisas que não podem, nem devem ser explicadas, entendidas, escalpelizadas, mas sim sentidas.

No Amor, atrevo-me inclusive a dizer que seria mais valeroso, estarmos totalmente desprovidos de razão.

Quais genes? Quais feromonas? Quais químicas? Qual sobrevivência da espécie? Será que não podemos simplesmente Amar? E devotarmos a nossa vida, a nossa Alma, os nossos segundos a outra(s) pessoa(s)?

Os cientistas têm esse grave problema: procuram uma explicação lógica para tudo. E, mais grave ainda, tentam encontrar uma cura para esses "males" com o objectivo maléfico e maquiavélico de nos tornar a todos pessoas iguais, homógeneas e mais fáceis de controlar.

Que bom que é ser diferente...E acreditar no que o coração nos diz - mesmo que ele não diga verdadeiramente nada...mas nós ouvimos - sentir por sentir, acarinhar esses sentimentos e deixá-los crescer. Sem perguntar porquê...

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