Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Ai, não aguentam, não!

Já há alguns meses vive na minha rua um casal dentro de um carro. Vivem na Foz dentro de um carro. São, talvez, ligeiramente mais novos do que eu e têm bom aspecto. Lembro-me que, quando me apercebi, me assaltou de imediato a ideia de pobreza envergonhada. Imagino-os a dormirem ali e de manhã a irem tomar banho a um qualquer balneário e a continuarem o dia num emprego precário ou à procura dele. Durante o dia nunca estão. Nem eles, nem o carro.

Não sei como ajudar, se os devo, sequer, abordar, se querem a minha ajuda. Sei que, a serem verdade as minhas suspeitas, não quero um país assim. Não quero um país onde as pessoas perdem as casas e a esperança.

Por outro lado, o desenvolvimento e a modernização das cidades e da sociedade, com todas as suas vantagens, agravam ainda mais a situação em tempo de crise: a desestruturação dos laços familiares faz com que a tia x já não se sinta responsável pelo sobrinho y; que o sobrinho y já não vá valer ao irmão z.

Hoje, quando passei junto ao carro, ela dormia encostada a ele com uma mão abandonada perto dos seus cabelos, em tom de carícia. “Felizmente, têm-se um ao outro”, pensei. Cobria-os a manta do costume: um xadrez britânico áspero bege e preto tapa-lhes a desgraça.

 

publicado por Sofia Bragança Buchholz às 02:09
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1 comentário:
De Joana a 18 de Abril de 2014 às 06:47
Passei aqui por um acaso e este post não me deixou indiferente.
Que situação triste. Falou em pobreza envergonhada e fez-me lembrar uma situação com que me deparo por vezes. Vejo pessoas a irem à cantina social e olho para eles e pergunto-me que vidas são aquelas e o que aconteceu para terem de ir buscar comida.
Muitas vezes quando os nossos olhos se cruzam sinto (de alguns) a vergonha e o constrangimento...eu apenas lhe sorrio. Mas fica a dor o coração.
Quanto a esse caso, não sei o que faria acho que ia pelo que sentisse na altura. embora por vezes o coração faz-nos fazer coisas que não devemos.
Que esse caso acabe bem.
Bom feriado

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